Os descontos obrigatórios na folha de pagamento representam as retenções que o empregador tem a obrigação de realizar antes de entregar o salário líquido ao trabalhador.

Compreender esses valores é crucial para que o colaborador entenda a diferença entre sua remuneração bruta e o que efetivamente cai na conta.

O que é obrigatório descontar do salário?

Na folha de pagamento do trabalhador pode haver alguns descontos, que impactam diretamente no salário líquido. Há descontos obrigatórios e outros que podem ser facultativos.

Entre os principais descontos obrigatórios estão a contribuição previdenciária (INSS), Imposto de Renda e pensão alimentícia.

Desconto no salário de contribuição previdenciária

A contribuição previdenciária, que também é conhecida como desconto do INSS, é um seguro social obrigatório. Diferente de um imposto comum que vai para o governo, esse valor tem um destino específico, que é o Fundo da Previdência Social.

O desconto do INSS serve para garantir que o trabalhador tenha uma renda quando não puder mais trabalhar. Ao contribuir, o trabalhador passa a ter direito aos benefícios previdenciários.

Veja quais são os benefícios previdenciários:

  • Aposentadoria;
  • Auxílio-doença;
  • Salário-maternidade;
  • Pensão por morte;
  • Auxílio-reclusão.


Entenda a alíquota de desconto de contribuição previdenciária para trabalhadores CLT:

SalárioAlíquota Parcela a deduzir
Entre 0 e R$ 1.621,007,5%0
Entre R$ 1.621,01 e R$ 2.902,849,0%R$ 24,32
Entre R$ 2.902,85 e R$ 4.354,2712,0%R$ 111,40
Entre R$ 4.354,28 e R$ 8.475,5514,0%R$ 198,49


Desconto no salário de Imposto de Renda no salário

O Governo Federal implementou a isenção total do Imposto de Renda para quem tem salário de até R$ 5 mil, além de redução gradual para quem ganha até R$ 7.350. As regras entraram em vigor à partir de janeiro de 2026.

Veja quem tem direito a isenção:

  • Trabalhadores de carteira assinada;
  • Servidores públicos;
  • Aposentados e pensionistas do INSS.


Com as novas regras, o imposto que antes era descontado do salário, agora não tem impacto na renda mensal. De acordo com o Governo Federal, as mudanças vão se refletir na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2027, que considera os rendimentos de 2026.


Desconto no salário de pensão alimentícia

O desconto de pensão alimentícia direto no salário é uma das formas mais seguras de garantir que o valor chegue ao beneficiário, pois retira do pagador a escolha de pagar ou não naquele mês. 

Diferente do INSS ou do IRRF, o desconto de pensão alimentícia não é automático para todo mundo, ele só existe se houver uma determinação legal.

Quais descontos no salário não são obrigatórios?

Os descontos facultativos ou voluntários só podem aparecer no contracheque se houver autorização prévia e por escrito, ou se estiverem previstos em convenção coletiva do sindicato da categoria.

Veja alguns exemplos de descontos voluntários:

  • Plano de saúde;
  • Seguro de vida;
  • Contribuição sindical;
  • Vale-alimentação ou refeição;
  • Previdência privada.

Como funciona o desconto do FGTS?

O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) não é um desconto no salário. Ele é uma obrigação da empresa, ou seja, um valor pago por fora que o empregador deve depositar em uma conta aberta em seu nome na Caixa Econômica Federal.

A empresa é quem deve arcar com o custo total. O valor corresponde a um percentual do salário bruto. 

Entenda o percentual de recolhimento do FGTS:

  • Trabalhadores CLT: 8% do salário bruto todo mês.
  • Aprendizes: 2% do salário bruto.
  • Trabalhadores domésticos: 11,2% do salário.


O cálculo do FGTS não é feito apenas sobre o salário base, mas sobre quase tudo que o trabalhador recebe. Nesse cálculo entram horas extras, adicionais, 13° salário e aviso prévio trabalhado.