Lançado em março de 2025, o programa Crédito do Trabalhador foi implementado pelo Governo Federal para democratizar o acesso ao crédito consignado para trabalhadores do setor privado (CLT), domésticos e rurais.

O programa automatiza as operações sem a necessidade de convênios diretos entre empresas e bancos. Além disso, a possibilidade de pagamento automático na folha e mecanismo de garantia possibilitou uma redução drástica nas taxas de juros na modalidade de crédito consignado.

Dados recentes indicam que o programa já movimentou cerca de R$ 50 bilhões em empréstimos, beneficiando mais de 7 milhões de brasileiros e contribuindo para elevar o poder de consumo das famílias e fomentar a inclusão financeira no país.

O que é Crédito do Trabalhador?

O Crédito do Trabalhador é um programa do Governo Federal que reformulou o acesso ao empréstimo consignado para trabalhadores do setor privado. O seu principal objetivo é democratizar o crédito barato, eliminando a necessidade de a empresa onde trabalha ter um convênio específico com um banco. 

Além disso, o programa permite que o trabalhador utilize até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia. Isso reduz o risco para os bancos e, consequentemente, baixa as taxas de juros.

Como funciona o Crédito do Trabalhador?

A modalidade funciona utilizando plataforma do eSocial e o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital para conectar diretamente o trabalhador aos bancos.

Não há necessidade de convênios, basta escolher um banco que esteja na lista de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central para operarem a modalidade de empréstimo consignado privado.

A principal característica do consignado CLT é o desconto automático. As parcelas do empréstimo são deduzidas diretamente do salário líquido todos os meses, antes mesmo de o dinheiro cair na conta. O empregador é notificado pelo eSocial sobre o valor da parcela e tem a obrigação legal de reter esse valor e repassá-lo ao banco.

Garantia no consignado privado

Na modalidade de crédito CLT, como o pagamento é feito em desconto em folha, acaba gerando segurança aos bancos e por consequência, diminui as taxas de juros. Além disso, outras três garantias fazem parte do processo. Entenda como funciona:

  • Garantia do saldo do FGTS: possibilidade de utilizar até 10% do saldo total disponível nas contas do FGTS como garantia para o empréstimo.
  • Garantia da multa rescisória: em casos de demissão sem justa causa, o banco pode reter até 100% do valor da multa rescisória de 40% paga pelo empregador.
  • Garantia do desconto em folha: o pagamento é garantido porque a empresa retira o valor da parcela antes de cair na conta, o que diminui drasticamente o risco de inadimplência.

Quem tem acesso ao consignado privado?

O programa é bastante abrangente e foca em quem trabalha no setor privado ou de forma autônoma formalizada. Entenda as categorias:

  • Trabalhadores CLT: qualquer pessoa com contrato de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho no setor privado.
  • Empregados domésticos: profissionais necessitam estar devidamente registrados no eSocial pelos seus patrões.
  • Trabalhadores rurais: funcionários de fazendas e agronegócios com registro formal.
  • MEI: microempreendedores individuais por meio de linhas específicas que utilizam a formalização do CNPJ para análise de crédito.


Regras do Crédito do Trabalhador

Para que o programa do crédito consignado privado funcione de forma organizada e segura, tanto para quem empresta quanto para quem recebe, o Governo Federal estabeleceu um conjunto de regras fundamentais.

Entenda na lista abaixo quais são as regras:

  • Margem consignável: o desconto mensal não pode ultrapassar 35% do salário líquido.
  • Taxa de juros: o programa estabelece parâmetros para que as taxas sejam competitivas. Em 2025, a média foi de 3,07% ao mês.
  • Demissão: em casos de desligamento, o saldo devedor pode ser descontado diretamente das verbas rescisórias e do saldo do FGTS.
  • Portabilidade: o trabalhador pode transferir a dívida para outro banco que ofereça juros menores a qualquer momento.
  • Contratação: formalização digital sem a necessidade de comparecer em alguma unidade física de bancos e sem intervenção da empresa.
  • Elegibilidade: é necessário ter carteira assinada e os dados estarem atualizados no eSocial. 

Margem consignável para CLT

A margem consignável é o limite máximo do salário que pode ser reservado para o pagamento das parcelas de um empréstimo consignado. Ela funciona como uma trava de segurança para evitar que o trabalhador comprometa toda a sua renda com dívidas e fique sem dinheiro para despesas básicas, como alimentação e moradia.

Entenda qual é a margem para trabalhador CLT


Exemplo

Gilberto é auxiliar administrativo e tem salário de R$ R$ 3.000,00. Logo, sua margem de 35% será de R$ 1.050,00.

Isso significa que a soma de todas as parcelas de empréstimos de Gilberto não pode passar desse valor por mês.

Como calcular a margem para CLT

A Konsi tem uma calculadora gratuita e simples de usar que mostra a sua margem consignável de 2026 para trabalhadores CLT.

Veja o passo a passo de como usar:

  1. Acesse a calculadora de margem consignável aqui.
  2. Insira sua renda líquida mensal.
  3. Escolha seu vínculo empregatício (INSS, servidor público ou CLT).

Crédito do Trabalhador para MEI

Diferente do CLT, o MEI (Microempreendedor Individual) não tem um empregador para descontar o valor do salário, então o sistema funciona por meio de uma garantia de fluxo de caixa.

Veja como funciona:

  • Vinculação de recebíveis: o MEI pode vincular uma porcentagem das suas vendas futuras como garantia.
  • Garantia de bens ou fundos: o MEI pode utilizar o seu saldo do FGTS (caso tenha saldo de empregos anteriores) como garantia para baratear os juros.


O acesso ao crédito é facilitado porque o banco consulta diretamente o histórico de pagamentos das guias DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).

Estar em dia com os impostos do MEI é regra básica para a aprovação. O sistema do Governo Federal compartilha esses dados de regularidade com as instituições financeiras por meio de uma plataforma unificada.

Crédito do Trabalhador para MEI: regras

Entenda quais são as principais regras para Microempreendedor Individual contratar o consignado privado:

  • O microempreendedor precisa estar com CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) ativo por um período mínimo de 6 meses a 1 ano.
  • A conta bancária onde o crédito será depositado deve estar vinculada ao CNPJ do MEI.

Crédito do Trabalhador para negativado

Quem está negativado pode ter acesso ao Crédito do Trabalhador. Diferente de um empréstimo pessoal comum, onde o risco de não receber é alto, o consignado privado evita inadimplência pelo fato do pagamento ser feito automaticamente na folha.

Mesmo que a instituição financeira aceite o cliente com nome sujo, não é permitido comprometer todo o salário. Para evitar o endividamento, é necessário seguir as regras da margem consignável, que para a modalidade de consignado privado é de 35%.

Portabilidade consignado CLT

Para que a portabilidade no consignado privado seja feita, alguns bancos podem exigir pagamento mínimo de parcela. Como não há essa determinação em lei, cada instituição financeira usa suas próprias regras nessa questão.

Veja as principais regras para a portabilidade:

  • Valor da dívida: o saldo devedor no novo banco não pode ser maior do que o saldo atual no banco de origem.
  • Prazo: o período do novo contrato não pode ser superior ao tempo que resta para quitar o contrato original.
  • Taxa de juros: a taxa de juros do novo banco deve ser obrigatoriamente menor do que a do banco atual.

Como contratar Crédito do Trabalhador

A contratação do Crédito do Trabalhador em 2026 é feita de forma digital e simplificada, utilizando o sistema integrado ao eSocial e a Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital).

Veja o passo a passo:

  1. Acesse a Carteira de Trabalho Digital;
  2. Faça login com sua conta gov.br;
  3. Clique no ícone "empréstimos";
  4. Selecione a opção "Crédito do Trabalhador";
  5. Autorize o compartilhamento dos seus dados do eSocial;
  6. Faça a simulação.

Simulador Crédito do Trabalhador

Além de usar a CTPS, a Konsi também ajuda pessoas a encontrarem as melhores opções de crédito consignado privado. Por meio de um aplicativo gratuito e simples de usar, o comparador entrega as melhores opções de taxas do mercado.

São mais de 20 bancos parceiros autorizados pelo Banco Central a realizarem operações de crédito. Veja o passo a passo de como usar o app Konsi:


Taxa de juros

No Crédito do Trabalhador, as taxas de juros são reduzidas porque o pagamento é garantido pelo desconto direto em folha, minimizando o risco de inadimplência. 

Enquanto o crédito pessoal tradicional cobra entre 6% e 10% ao mês devido à incerteza do pagamento, o consignado oferece taxas bem mais atrativas, geralmente entre 1,8% e 4% mensais."

Veja o que compõe a taxa de juros:

  • Juros nominais: a taxa base cobrada pelo banco;
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): imposto obrigatório pago ao governo.
  • Taxas administrativas: custos de processamento da folha.

A soma do valor de todos os juros é chamado de Custo Efetivo Total (CET).

Crédito do Trabalhador movimenta bilhões em contratos

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), até outubro de 2025, 2,3 milhões de contratos antigos de crédito consignado foram migrados para a plataforma do Crédito do Trabalhador.

Veja a declaração do ministro do MTE, Luiz Marinho:

Mais de 50% dos trabalhadores que fizeram empréstimos ganham até quatro salários mínimos. Eles estão conseguindo sair das mais variadas formas de empréstimos pessoais que cobram, em média, 11,2% ao mês.

O MTE indica que até o momento 122 instituições financeiras estão habilitadas a atuarem na modalidade de crédito consignado privado.