Você passou boa parte da vida trabalhando e, quando a aposentadoria se aproxima, espera finalmente ter mais tranquilidade financeira. Só que o que acontece é muito diferente do que você imaginava.
As despesas da casa continuam altas, você precisa tomar empréstimo para ajudar filhos e netos, e quando se dá conta, percebe que as dívidas estão ocupando um espaço maior do que imaginava no seu orçamento.
Um levantamento feito pela Acordo Certo mostrou que consumidores com 65 anos ou mais tinham pendências bancárias médias de R$ 41,8 mil na região de Ribeirão Preto (SP) entre janeiro e agosto de 2026.
Entre jovens de 18 a 24 anos, a média era de R$ 3,4 mil, uma diferença de aproximadamente 12 vezes. O resultado chama atenção, e liga o alerta para a necessidade de melhorar o planejamento financeiro à medida que envelhecemos.
Quanto maior a idade, maior o valor das dívidas?
No levantamento feito pela Acordo Certo, o valor médio das pendências bancárias aumentou progressivamente entre as faixas etárias analisadas. Entre consumidores de 25 a 34 anos, a dívida média era de R$ 9,2 mil.
O valor chegava a R$ 16,8 mil entre 35 e 44 anos, ultrapassava R$ 25 mil na faixa de 45 a 54 anos e alcançava R$ 31,5 mil entre 55 e 64 anos. A maior média, porém, foi de pessoas com 65 anos ou mais, que possuem dívidas acima de R$ 41,8 mil.
Ainda que esse seja um recorte regional, ele representa uma realidade do brasileiro. Afinal, quanto mais maduros nos tornamos, maior é o valor disponibilizado pelo banco, e mais pessoas tendem a pedir ajuda financeira para nós.
Por exemplo, um consumidor de 20 anos geralmente possui menos tempo de relacionamento bancário, o que acarreta em menos valor disponibilizado pelo banco.
Já alguém de 65 anos, como já teve contratos de financiamentos, empréstimos e cartões ao longo da vida, consegue ter acesso a valores maiores, o que pode aumentar o endividamento se não houver controle financeiro.
Idosos estão mais endividados
Um outro estudo entitulado “Neobanks: a nova fonte de crédito 2026” da Equifax BoaVista, identificou que a participação das pessoas acima de 35 anos na base de cartões de crédito ativos de bancos digitais passou de 35,1% em 2021 para 49,4% em 2025.
Esse percentual reúne três grupos etários: 36 a 50 anos, 51 a 70 anos e acima de 70 anos. Entre os inadimplentes de cartão de crédito, especificamente as faixas de 36 a 70 anos passaram de 29% para 46,7% do total no mesmo período.
Os dados mostram que os consumidores mais velhos ganharam participação mais ativa nos empréstimos bancários, e tornaram-se mais inadimplentes. Claro que isso não quer dizer que todos possuem propensão ao endividamento.
Todavia, alguns imprevistos como uma doença, um remédio, ou um filho que perdeu a renda são mais comuns nessa idade e podem comprometer o pagamento do empréstimo, o que liga o sinal de alerta para o uso do crédito.
Por que as dívidas podem aumentar ao longo da vida?
Cada consumidor possui uma trajetória, mas alguns fatores ajudam a entender por que as dívidas podem alcançar valores maiores com o passar dos anos.
Mais tempo de relacionamento com os bancos
Quem possui um histórico financeiro mais longo pode ter acesso a produtos de crédito de valores superiores, como financiamentos e empréstimos com limites elevados.
Desse modo, quando não há controle financeiro e a pessoa aceita o valor que o banco oferece, uma dificuldade pode resultar em uma dívida maior do que uma pessoa que está começando a construir o seu histórico bancário.
Empréstimos para ajudar filhos e netos
Pessoas mais velhas podem assumir empréstimos ou disponibilizar crédito para ajudar familiares, especialmente filhos e netos. Por exemplo, imagine um aposentado que contrata um empréstimo para ajudar o filho a pagar uma dívida.
O combinado é que o familiar devolva o dinheiro mensalmente, mas, depois de algum tempo, ele deixa de conseguir pagar. Mesmo que os recursos tenham sido destinados a outra pessoa, a obrigação perante o banco continua sendo de quem assinou o contrato.
Mudanças na renda e novas despesas
A aposentadoria também pode exigir uma reorganização do orçamento. Dependendo do vínculo e das regras previdenciárias, a renda recebida após o encerramento da carreira pode ser diferente da remuneração anterior.
Ao mesmo tempo, despesas com moradia, alimentação, medicamentos e outras necessidades continuam existindo. Quem possui empréstimos de longo prazo precisa considerar essa mudança com antecedência.
Por isso, a organização financeira ajuda a identificar os compromissos que continuarão existindo e quanto de dinheiro será necessário para pagar as despesas essenciais.
Novos empréstimos para pagar dívidas antigas
O endividamento também pode aumentar quando o consumidor passa a contratar crédito para cobrir outros compromissos. Uma pessoa que usa um empréstimo pessoal para pagar o cartão e depois continua usando o rotativo, acaba tornando-se mais endividada.
Substituir uma dívida cara por outra mais barata pode fazer sentido, mas apenas quando a troca reduz os custos e permite manter os pagamentos seguintes, sem aumentar novamente a dívida que levou a essa situação.
Como impedir que as dívidas comprometam a aposentadoria?
O primeiro passo é entender o tamanho real dos compromissos financeiros. Confira o valor recebido mensalmente, identifique os descontos existentes e some as despesas essenciais. Depois, verifique quanto já está comprometido com cartões, financiamentos e empréstimos.
Se houver contas em atraso, anote o valor atualizado, os encargos cobrados e as condições oferecidas para regularização. A Acordo Certo permite consultar gratuitamente o CPF e verificar propostas de negociação disponibilizadas por empresas parceiras.
Mas antes de assumir qualquer parcela é importante preservar recursos para alimentação, moradia, medicamentos e outras necessidades. Um acordo que consome todo o dinheiro disponível pode acabar provocando novos atrasos.
O empréstimo consignado pode ajudar a reorganizar as dívidas?
Para aposentados, pensionistas e servidores públicos, o empréstimo consignado pode ser uma alternativa quando existe a possibilidade de substituir uma dívida mais cara por outra com condições melhores.
Nessa modalidade, as parcelas são descontadas diretamente do benefício ou da remuneração, o que pode permitir taxas de juros inferiores às de outras linhas de crédito, dependendo da proposta.
Entretanto, antes de contratar, é necessário conferir a margem consignável, que estabelece quanto da renda pode ser comprometida com os descontos. As regras variam conforme o vínculo, e ter margem disponível não significa que seja necessário utilizá-la integralmente.
Quem pretende usar o consignado para quitar dívidas caras deve comparar o Custo Efetivo Total (CET), o prazo, o valor das parcelas e a quantia total que será paga.
Envelheça sem o acúmulo de dívidas
Como podemos ver, os levantamentos mostram que as pendências bancárias podem alcançar valores maiores nas faixas etárias mais avançadas, mas o problema não deve ser atribuído simplesmente à idade ou à falta de organização financeira.
Histórico bancário, responsabilidades familiares, mudanças na renda e sucessivas contratações de crédito ajudam a explicar as diferentes situações enfrentadas por consumidores mais velhos.
Por isso, redobrar a atenção nessa idade, ajudar filhos e netos somente quando se tem condição, e criar um controle financeiro é essencial para evitar problemas nessa fase da vida.
*Conteúdo produzido pela Acordo Certo.






















































































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