Os órgãos de proteção ao crédito têm um papel fundamental na manutenção do histórico financeiro de milhões de brasileiros. É importante entender qual o impacto na inadimplência.

Mas afinal, a modalidade de empréstimo consignado, por ter pagamento descontado em folha, pode gerar inadimplência e deixar o nome sujo? Essa pergunta é comum em quem deseja contratar consignado, seja entre trabalhador CLT, servidores públicos, aposentados ou pensionistas do INSS.

Entenda neste artigo o papel dos órgãos de proteção ao crédito e o cenário de inadimplência no Brasil.

Dívida de empréstimo consignado aparece no Serasa ou SPC?

Sim, dívida de empréstimo consignado pode aparecer no Serasa ou SPC. No entanto, o processo funciona de um jeito diferente de uma conta de cartão de crédito ou de luz, por exemplo.

A dívida só aparece nesses órgãos se houver a quebra do contrato. Ou seja, se a parcela parar de ser paga e o banco não conseguir descontar o valor. 

Entenda em quais cenários isso pode acontecer:

  • Fim do vínculo empregatício: em casos de demissão e a rescisão não for suficiente para quitar o saldo devedor, as parcelas restantes deixam de ser descontadas automaticamente. Se o valor restante não for pago, o nome fica sujo.
  • Margem negativa ou erro no sistema: se houver uma falha no repasse da empresa para o banco, a dívida consta como aberta.
  • Suspensão de benefício: no caso de aposentados ou pensionistas do INSS, se o benefício for suspenso por algum motivo legal, o desconto cessa e a dívida acumula.

O que são órgãos de proteção ao crédito?

Os órgãos de proteção ao crédito são entidades que funcionam como um banco de dados sobre o histórico financeiro dos consumidores. Eles são os termômetros que as empresas consultam para saber se você é um bom pagador ou se representa um risco de inadimplência.

No Brasil, os órgãos de proteção ao crédito mais conhecidos são o Serasa e o SPC Brasil.

O que os órgãos de proteção ao crédito fazem?

Órgãos de proteção ao crédito registram informações sobre o seu comportamento financeiro. O histórico é centralizado em duas áreas. Veja quais são:

  • Dados negativos: quando você deixa de pagar uma conta, a empresa credora informa esses órgãos, e seu CPF fica negativado.
  • Dados positivos: é registrado quando você paga suas contas em dia, o que ajuda a construir uma boa reputação financeira.


Neste contexto é importante esclarecer o papel do score de crédito, que significa uma pontuação que vai de 0 a 1000 e serve para indicar aos bancos e lojas qual é a probabilidade do cliente pagar as contas em dia nos próximos 12 meses.


Como consultar se o nome está sujo?

A consulta para saber se o nome está sujo pode ser feita gratuitamente. É importante verificar dívidas negativadas, contas atrasadas e protestos em cartórios, por exemplo.

Veja três maneiras de consultar se o nome está sujo:

  • Serasa: aparecem dívidas vencidas, protestos, score de crédito e se há consultas de empresas ao seu CPF. Pode ser acessado pelo aplicativo ou site.
  • SPC Brasil: geralmente focado em dívidas com o comércio. Pode ser acessado pelo aplicativo ou site.
  • Registrato: aparecem dívidas que caducaram, mas ainda impedem de conseguir crédito em bancos. Pode ser acessado no site do Banco Central.

Como limpar o nome sujo

Em casos de inadimplência, o ideal é limpar o nome sujo. No entanto, limpar o nome não é apenas uma questão de pagar o que deve, mas de saber estratégia para não sofrer com taxa de juros abusivas. Além disso, é necessário garantir que a baixa da dívida aconteça rápido.

Veja algumas dicas de como limpar o nome negativado:

  • Feirões de negociação: frequentemente é realizado feirões de negociação. Em muitos casos, é possível conseguir até 90% de desconto sobre o valor total.
  • Priorize as dívidas: se o dinheiro está curto, não tente pagar tudo de uma vez sem estratégia. Priorize primeiramente os serviços essenciais como água e luz.
  • Analise o acordo: nunca aceite uma parcela que você não consiga pagar. Se quebrar o acordo, o desconto é cancelado e o nome volta a ficar sujo imediatamente.

Mapa da inadimplência no Brasil

Dados do Serasa de dezembro de 2025 indicam que o Brasil atingiu o patamar de 81,2 milhões de endividados. Pessoas com idades entre 41 e 60 anos representam a maior fatia da população com nome sujo.

O relatório também indica que o valor médio de cada dívida é de R$ 1.5 mil. Veja quais são os principais segmentos:

  • Bancos;
  • Cartão de crédito;
  • Financeiras;
  • Serviços;
  • Contas básicas.


O relatório divulgado pelo Serasa também indica o ranking com os estados com maior número de população inadimplente. Confira o top 5:

  1. Amapá: 66,02%
  2. Distrito Federal: 61,84%
  3. Amazonas: 58,25%
  4. Rio de Janeiro: 58,13%
  5. Mato Grosso do Sul: 58,12%