Antes de recorrer ao crédito rotativo, é importante entender como essa modalidade funciona e quais são seus impactos no orçamento. Acionado quando o titular do cartão paga apenas parte da fatura ou o valor mínimo, o rotativo permite adiar o pagamento do saldo restante, mas costuma estar entre as formas de crédito mais caras.

Entenda neste conteúdo como essa modalidade funciona, em quais situações é utilizada e quais são os riscos envolvidos.

O que é crédito rotativo?

O crédito rotativo é uma modalidade de empréstimo pré-aprovado oferecida pelos bancos. Costuma ser comum no cartão de crédito, mas que também existe no cheque especial. É o crédito que é ativado automaticamente quando o valor total de uma dívida não é paga até o vencimento.

Veja como funciona:

  • Pagar o valor total: não há cobrança de juros.
  • Parcelar a fatura: acorda um número de parcelas com juros fixos.
  • Pagar qualquer valor entre o mínimo e o total: a diferença que ficou faltando entra automaticamente no crédito rotativo.

Exemplo

Augusto tem fatura no valor de R$ 1.000 e paga apenas o valor mínimo de R$ 150, os R$ 850 restantes entram no rotativo.

Na fatura do mês seguinte, Augusto pagará esse valor restante mais os juros e impostos decorrentes desse período.

Regras do crédito rotativo

Para evitar que as pessoas fiquem presas na dívida do crédito rotativo por anos, o Banco Central estabeleceu as seguintes regras:

  • Limite de tempo: só pode ficar no crédito rotativo por no máximo 30 dias, até a fatura do mês seguinte.
  • Migração obrigatória: se após 30 dias ainda não quitar o saldo devedor, o banco é obrigado a oferecer uma linha de parcelamento da dívida com taxas de juros menores do que as do rotativo.
  • Teto de juros: pela legislação vigente, o valor total cobrado em juros e encargos não pode ultrapassar 100% do valor da dívida original.

Quando o crédito rotativo é utilizado

O crédito rotativo é acionado em momentos específicos, quase sempre ligados a um imprevisto financeiro ou a um controle de orçamento apertado.

Veja exemplos nos tópicos abaixo:

Pagamento parcial da fatura do cartão

Acontece quando o valor total da fatura ultrapassa o dinheiro disponível na conta naquele mês e decide pagar qualquer valor entre o mínimo exigido e o total.

O sistema da instituição financeira entende automaticamente que a diferença não paga é um empréstimo de curto prazo e a joga para o rotativo.

Uso do cheque especial

É um limite de crédito pré-aprovado que fica atrelado à conta corrente. Quando gasta mais do que tem, o banco cobre o valor usando essa linha de crédito rotativo.

Ocorre de forma imediata assim que uma compra no débito, um Pix, um boleto ou um saque deixa o saldo zerado ou negativo.

Esquecimento ou atraso no pagamento

Mesmo que tenha o dinheiro para quitar a fatura integral, às vezes um esquecimento da data de vencimento ou um problema técnico no pagamento faz com que a fatura vença sem ser paga.

Se o pagamento não for feito até a data limite, o saldo devedor remanescente cai diretamente nas regras do rotativo até que seja regularizado.

Quais são os juros do crédito rotativo?

Os juros do crédito rotativo variam dependendo da instituição financeira, mas historicamente estão entre os mais altos de todo o mercado brasileiro. Na maioria dos grandes bancos, a taxa mensal costuma variar entre 10% e 16% ao mês.

Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690 regulamentada pelo Banco Central, impôs uma trava fundamental no valor dos juros. O teto total de juros e encargos do crédito rotativo não pode ultrapassar 100% do valor da dívida original.  

Além da taxa de juros informada pelo banco, quando entra no rotativo também são cobrados:

  • IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): um imposto federal fixo cobrado sobre o valor da operação de crédito mais uma taxa diária.
  • Multa por atraso: aplicada caso o pagamento do valor mínimo não tenha sido feito no prazo. É limitada a 2% pela Lei de Defesa do Consumidor.
  • Juros de mora: juros cobrados por dia de atraso no pagamento, geralmente de 1% ao mês.

Riscos do crédito rotativo

O maior perigo dessa modalidade não é apenas o custo elevado, mas o ritmo acelerado em que a dívida se multiplica. Por ser uma linha de crédito acionada de forma simples e quase invisível, ela é uma das principais causas de superendividamento no Brasil.

Veja os principais riscos:

  • Efeito bola de neve;
  • Perda controlada do orçamento doméstico;
  • Ilusão do pagamento mínimo;
  • Danos ao score de crédito;
  • Impacto emocional.