O crédito imobiliário consolida-se como um dos pilares fundamentais do planejamento financeiro de longo prazo, permitindo que pessoas adquiram imóveis de alto valor. 

O motor que viabiliza essa estrutura é a utilização do próprio imóvel como garantia real da operação, geralmente sob o regime de alienação fiduciária. Nessa configuração, a propriedade do bem é transferida temporariamente ao banco até a quitação da dívida, o que reduz drasticamente o risco de inadimplência. 

Como funciona o crédito imobiliário?

O crédito imobiliário é um empréstimo de longo prazo destinado à compra, construção ou reforma de um imóvel. Na prática, o banco paga o vendedor à vista e você paga o banco em parcelas mensais, acrescidas de juros e taxas, por um período.

Veja dois principais sistemas de financiamento

  • SFH (Sistema Financeiro de Habitação): comum para a classe média. Possui juros limitados e permite o uso do FGTS. Em 2026, o teto para imóveis neste sistema foi ampliado para R$ 2,25 milhões.
  • SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário): usado para imóveis que superam o teto do SFH ou para quem já possui outros financiamentos. As taxas são livremente negociadas pelos bancos e costumam ser um pouco mais altas.

Taxas

Além da entrada para a compra do imóvel, é recomendado reservar cerca de 4% a 5% do valor total para taxas burocráticas. Veja quais são:

  • Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI);
  • Taxas de cartório, como escritura e registro;
  • Seguros obrigatórios, como Morte e Invalidez Permanente (MIP) e Danos Físicos ao Imóvel (DFI).


Crédito imobiliário: como funciona a garantia?

Na modalidade de crédito imobiliário, a garantia funciona como divisão da propriedade. Enquanto o comprador tem posse direta e pode morar no imóvel e pagar o IPTU, o banco possui a propriedade resolúvel, que significa a posse indireta.

O imóvel fica registrado em nome do banco no Cartório de Registro de Imóveis como garantia da dívida.

Veja o passo a passo de como funciona o crédito com garantia de imóvel:

  1. Avaliação do imóvel;
  2. Determinação do valor liberável;
  3. Contrato e registro da garantia;
  4. Utilização e pagamento;
  5. Quitação e liberação da garantia.

O que acontece se atrasar o pagamento das parcelas?

Em casos de atraso no pagamento das parcelas do crédito imobiliário, pode acontecer o seguinte:

  1. Notificação: geralmente a partir da 3° parcela, o banco solicita ao Cartório de Registro de Imóveis que notifique o dono do imóvel.
  2. Prazo: é estipulado um prazo para pagar a dívida atrasada, juros e custos de cartório. 
  3. Consolidação da propriedade: se a dívida não for paga nesse prazo, a propriedade do imóvel é "consolidada" em nome do banco. 
  4. Leilão: por lei, o banco é obrigado a levar o imóvel a leilão em até 30 dias após a consolidação para recuperar o dinheiro emprestado.

Diferença entre crédito imobiliário e financiamento imobiliário?

A diferença entre crédito imobiliário e financiamento imobiliário está relacionada à finalidade e ao processo. Enquanto no primeiro o dinheiro tem destinação para o vendedor do imóvel ou construtora, o segundo tem como destino o próprio dono do imóvel.

Veja as principais características:

  • Financiamento imobiliário: pode ser usado para comprar um imóvel (novo ou usado), construir ou reformar. O próprio imóvel que está sendo comprado é a garantia.
  • Crédito imobiliário: pode ser usado tanto para comprar um imóvel quanto para reforma.

Crédito imobiliário ou empréstimo consignado?

A escolha entre crédito imobiliário e empréstimo consignado depende de quanto dinheiro você precisa e qual será o uso dele. Enquanto um usa o próprio imóvel como garantia, o outro usa a folha de pagamento como precaução.

Veja o quadro comparativo:

Crédito imobiliárioEmpréstimo consignado
Para comprar ou construirValor com rapidez
Grandes reformasSem burocracia


Novo modelo de crédito imobiliário

Um novo modelo de crédito imobiliário foi anunciado pelo Governo Federal em outubro de 2025. A ideia do projeto é que sejam implementadas mudanças nas operações realizadas dentro das regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), voltadas à classe média.

A reforma permitirá uma elevação gradual para que 100% dos recursos provenientes dos saldos da poupança possam ser utilizados em crédito imobiliário. Quanto mais valores forem depositados na poupança, mais crédito será destinado ao financiamento de imóveis. 

Além disso, o Governo Federal também anunciou o aumento do valor máximo do imóvel financiado pelo SFH, que passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. 

Confira a declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad:

O Banco Central apresentou um modelo estrutural de mudança no financiamento, garantindo que todos aqueles penduricalhos da poupança deem lugar a um projeto que canaliza o dinheiro mais barato da economia brasileira para a produção da construção civil.