Desde que foi lançado no Brasil, o Pix se tornou parte essencial na vida dos brasileiros no momento de fazer transferências bancárias ou pagar contas. As principais vantagens têm sido a facilidade e agilidade.

Entretanto, uma dúvida bastante comum é sobre o que fazer quando um Pix é feito para a pessoa errada, se tem como cancelar ou não. Entenda neste artigo quais as regras.

Como cancelar um Pix?

Um Pix concluído não pode ser cancelado diretamente, pois o dinheiro cai na conta de destino em poucos segundos de forma irreversível. No entanto, a única exceção em que é possível cancelar o envio é quando a transferência foi agendada para uma data futura e o valor ainda não saiu da sua conta.

Veja o passo a passo de como cancelar um Pix agendado:

  1. Acesse o aplicativo do seu banco;
  2. Navegue até o extrato ou área Pix;
  3. Procure pelas opções Pix, extrato ou agendamentos;
  4. Selecione o Pix agendado;
  5. Confirme o cancelamento.

Ao clicar na opção de cancelamento de agendamento ou excluir transação, será necessário inserir a senha transacional ou autenticação biométrica para confirmar.

O que fazer se o Pix já foi enviado?

Se o dinheiro já foi transferido, existem duas caminhos dependendo do motivo:

  • Pix enviado por engano: entre em contato diretamente com quem recebeu o valor e peça a devolução. Os aplicativos bancários possuem a funcionalidade "devolver valor" dentro do comprovante do Pix recebido.
  • Golpe ou fraude: entre em contato com o suporte do banco para acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). O banco de origem bloqueia os recursos na conta do recebedor e analisa a fraude para tentar reaver o saldo.

Como funciona o Mecanismo Especial de Devolução (MED)?

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é um recurso criado pelo Banco Central exclusivo para proteger vítimas de golpes, fraudes ou falhas operacionais no sistema do banco ao realizar transações via Pix.

Funciona como um conjunto de regras e procedimentos que permite o bloqueio e a tentativa de devolução do dinheiro transferido indevidamente.

Quando pode ser usado?

  • Golpes, fraudes e engenharia social: situações como o golpe do falso parente no WhatsApp, invasões de conta, falso suporte técnico ou compras em sites fraudulentos.
  • Falha operacional do banco: erros no processamento da transação causados pelo próprio aplicativo ou sistema financeiro.

Quando não pode ser usado?

  • Erros de digitação do cliente: digitar a chave Pix errada ou digitar um valor incorreto ao fazer a transferência.
  • Desavenças comerciais: casos em que comprou um produto, o vendedor entregou uma mercadoria com defeito, atrasou a entrega ou o produto não era como o esperado.

Vale ressaltar que a maioria das instituições financeiras exigem o Boletim de Ocorrência (B.O.) para dar andamento ao processo de verificação. Quanto mais rápido o alerta for emitido, maior a chance do valor ainda estar na conta do golpista antes que ele o transfira ou saque.

Mecanismo Especial de Devolução (MED): passo a passo

  1. Notificação de infração: a vítima entra em contato com o banco e registra uma reclamação por fraude fornecendo o comprovante do Pix e o Boletim de Ocorrência.
  2. Bloqueio dos recursos: o banco de origem envia o alerta ao banco do golpista. O banco do recebedor realiza o bloqueio cautelar imediato do valor na conta de destino.
  3. Análise do caso: ambas as instituições financeiras analisam as evidências para verificar se realmente se tratou de uma fraude ou golpe.
  4. Restituição do valor: se a fraude for comprovada, o banco do recebedor estorna o dinheiro retido para a conta da vítima.

Como evitar erros no Pix 

Siga este rito de checagem em todas as transações Pix que realizar.

Confira a tela de confirmação

Verifique se o nome do destinatário é exatamente a pessoa ou empresa esperada. Os dígitos ocultos e visíveis do CPF/CNPJ condizem com o recebedor. Verifique se não houve erro de digitação nos centavos do valor e do banco de destino.

Priorize chaves aleatórias

Para transações pontuais com desconhecidos, como compras pela internet, dê preferência a chaves aleatórias (EVP) em vez de repassar ou pedir CPF/e-mail.  

Atenção aos QR Codes em locais públicos

Golpistas costumam colar adesivos com QR Codes falsos por cima dos originais em estabelecimentos ou totens de cobrança. Sempre leia o nome do favorecido que aparece no app do seu banco após escanear.